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Em Almas do Povo Negro, W. E. B. Du Bois descreve a experiência de uma dupla consciência, em que a pessoa negra aprende a se ver tanto por sua própria perspectiva quanto pelo olhar racializado da sociedade. O negro norte-americano teria sua experiência definida pela hifenização de ser afro-americano. Ele também fala de um “véu” que cobre os negros em sociedade, metáfora que representa os estereótipos que moldam como o negro é percebido e como ele se percebe, impedindo que eles sejam vistos como as pessoas que são.
Em Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo, a narradora constrói a experiência de Fio Jasmim por meio das múltiplas relações encetadas com mulheres, também negras. Sua caracterização da personagem destaca uma virilidade aventureira, opressora e repressora de seus próprios sentimentos.
Considerando essas ideias, qual alternativa melhor interpreta a performance da virilidade por Fio Jasmim?
Em sua relação com as mulheres, Fio Jasmim desempenha um papel forjado por sua experiência individual de modo independente das expectativas raciais e de gênero, ignorando o olhar social.
A forma como Fio Jasmim se apresenta e age é determinada pelo “véu” que lhe impõe estereótipos coloniais, impedindo mudanças.
A consciência racial serve a Fio Jasmim para fornecer um guia de como se comportar e eliminar quaisquer conflitos internos, permitindo que aja sempre com segurança.
A experiência de Fio Jasmim ilustra a dupla consciência porque ele aprende a ajustar sua performance — como homem e negro — ao perceber como é visto através de estereótipos sociais.
O comportamento de Fio Jasmim é definido por um padrão de performance de masculinidade independente de sua racialização e da dupla consciência que pode advir dela.
Na obra Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo, Fio Jasmim, obedece aos estereótipos de gênero, que exigem que o homem seja provedor da família e mostre virilidade. Fio Jasmim faz isso gerando muitos filhos com sua esposa e fazendo conquistas sexuais quando está longe de casa. Mas é preciso observar que Fio Jasmim também é marcado pela “dupla consciência” racializada a que se refere W. E. B. Du Bois. Essa condição dupla, a de como ele se vê e de como ele é visto, é exemplificada no fato de que Fio Jasmim queria fazer o papel de príncipe em uma peça de teatro escolar, mas foi rejeitado por ser negro. Na vida adulta, a performance de virilidade de Fio Jasmim vai incorporar essa dupla consciência de “príncipe” (pela beleza e pelo charme) e de negro.
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