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Exílio
Numa casa em Ipanema rodeada de árvores e pombos
na sombra quente da tarde
entre móveis conhecidos
na sombra quente da tarde
entre árvores e pombos
entre cheiros conhecidos
eles vivem a vida deles
eles vivem minha vida
na sombra da tarde quente
na sombra da tarde quente
Ferreira Gullar. Dentro da noite veloz.
O deslocamento do adjetivo “quente” nas expressões “sombra quente da tarde” e “sombra da tarde quente” (versos 2 e 4; versos 9 e 10) contribui para
proporcionar ao leitor, por meio da repetição dos versos e do jogo de sonoridade, percepções semelhantes entre o que foi e o que é.
reiterar o incômodo climático e reafirmar que a “tarde quente” provoca uma reação de insatisfação semelhante à de “sombra quente”.
conferir ao poema um jogo entre o passado de tardes quentes e o presente sombrio e distante de uma realidade desconhecida.
criar uma distinção espaço-temporal entre o certo e o duvidoso, entre o conhecido e o desconhecido, entre a vida e a morte.
contrastar a experiência afetiva positiva no espaço passado com o sentimento negativo no espaço do exílio.
Na expressão “sombra quente da tarde”, que se refere ao lugar pelo qual o eu lírico mantém afeto, o termo “quente” indica um sentimento positivo ligado ao espaço passado (lugar e tempo que o eu ama e de que está privado). Em oposição, em “sombra da tarde quente”, o adjetivo em questão aponta para um contexto negativo presente, uma vez que, neste caso, “quente” está vinculado ao desprazeroso exílio vivido pelo eu lírico.
Fuvest 1ª fase | Resolução de questões do vestibular 2027
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