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O texto abaixo apresenta nove lacunas, cujo preenchimento será solicitado. Leia-o
para responder às questões 7 a 9.
Soberania tecnológica se constrói com pessoas: como a formação de talentos
impulsiona a autonomia científica do País
Em um mundo em que conhecimento é poder e tecnologia molda competitividade, garantir que o Brasil construa capacidades próprias é mais do que uma ambição: é uma necessidade estratégica. A soberania tecnológica — isto é, a capacidade de desenvolver soluções científicas, produtos e plataformas tecnológicas internamente — abre caminhos até __ autonomia econômica e social.
As histórias de quem faz ciência no Brasil costumam começar cedo, muitas vezes ainda na graduação, quando o primeiro contato com a pesquisa abre caminhos que se estendem por toda a vida profissional. É nesse momento que o investimento público se revela decisivo, ao oferecer condições para que talentos sejam formados, permaneçam no sistema científico e avancem em trajetórias de longo prazo, dentro e fora do País.
Ao longo desse percurso, bolsas de estudo, programas de mobilidade e políticas de fomento funcionam como pontes entre __² formação inicial e __³ pesquisa de alto nível. A experiência internacional, longe de representar uma ruptura, passa a integrar um ciclo mais amplo de qualificação, no qual o retorno ao Brasil se torna parte estratégica do fortalecimento da ciência nacional.
O programa Conhecimento Brasil, executado pelo CNPq com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), é um dos principais exemplos dessa estratégia de qualificação do capital humano. Com foco em atrair pesquisadores brasileiros que atuam no exterior ou que tenham concluído doutorado ou pós-doutorado fora do País, a iniciativa abriu chamadas públicas que resultaram em centenas de projetos aprovados para execução em universidades, instituições de pesquisa e empresas nacionais.
Na neurociência, a trajetória de Lívia Hecke Morais segue um fio semelhante. Bolsista desde a graduação, ela acompanhou de perto o papel do CNPq em cada etapa de sua formação, até __ experiência internacional que ampliou seu repertório científico. O retorno ao Brasil não significou recomeçar do zero, mas dar continuidade a uma história já em curso, agora com a chance de aplicar o conhecimento adquirido fora em diálogo direto com instituições nacionais, estudantes e grupos de pesquisa locais.
A repatriação representou um ponto de inflexão: a ciência feita no exterior passou __ ganhar sentido concreto ao ser incorporada __ demandas e desafios do País. “Sem apoio desde cedo, perdemos muitas pessoas com potencial”.
De acordo com os dados da demanda bruta submetida __ duas chamadas do programa Conhecimento Brasil, mais de 2,5 mil pesquisadores e pesquisadoras brasileiros radicados em 56 países demonstraram interesse em regressar ao Brasil ou atuar em cooperação científica com instituições e empresas nacionais.
Esse conjunto de iniciativas se insere em uma atuação mais ampla do Governo do Brasil para fortalecer a base científica nacional. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem trabalhado de forma articulada para transformar essa visão em política pública, combinando investimentos, programas estruturantes e ações voltadas __ formação e __ valorização de pesquisadores em todas as regiões do País.
Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Soberania tecnológica se constrói com pessoas: como a formação de talentos impulsiona a autonomia científica do País. Brasília, 2026. Disponível em https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2026/01/soberania-tecnologica-se-constroi-compessoas-como-a-formacao-de-talentos-impulsiona-a-autonomia-cientifica-do-pais. Adaptado.
Quanto ao encaminhamento argumentativo, o texto DEFENDE que
o desenvolvimento científico depende da permanência dos pesquisadores no exterior, uma vez que a experiência internacional garante a autonomia sem necessidade de repatriação.
a formação científica no Brasil é exígua para a construção de autonomia tecnológica, razão pela qual a cooperação internacional prescinde de investimentos internos em ciência e tecnologia.
a soberania tecnológica resulta de um processo contínuo que articula formação inicial, experiência internacional e retorno estratégico de pesquisadores, mediado por políticas públicas consistentes.
programas governamentais, como o Conhecimento Brasil, têm impacto limitado, pois o interesse de pesquisadores no exterior não se converte efetivamente em projetos científicos no país.
o investimento em tecnologia funciona como um subterfúgio que tensiona o desenvolvimento econômico, haja vista o vultoso custo da formação de talentos no exterior.
O texto fornecido pela banca, publicado originalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pertence ao gênero notícia e apresenta funções sociais complementares: abordar o tema da soberania tecnológica e apresentar ações públicas relacionadas a ele.
Esse segundo propósito revela-se como a principal finalidade temática do texto já a partir do terceiro parágrafo: nele, o artigo apresenta a tendência de que pesquisadores brasileiros costumam passar por um processo de “êxodo científico”, deslocando-se para países estrangeiros na intenção de desenvolverem suas pesquisas.
Esse quadro, exemplificado na notícia pela trajetória da neurocientista Lívia Hecke Morais, concentra, portanto, as duas principais finalidades da matéria: apontar a importância de políticas públicas para formação de pesquisadores e fornecer subsídios para repatriar cientistas brasileiros que atuam em países estrangeiros.
Dessa forma, a notícia revela o processo de desenvolvimento da soberania tecnológica nacional, o qual passa pela formação de jovens cientistas e pela criação de condições para que pesquisadores brasileiros sejam novamente incorporados a universidades nacionais após períodos de trabalho em países estrangeiros.
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