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No trecho do Teeteto, Sócrates afirma que tudo está em devir e aponta Parmênides como exceção entre os pensadores citados.
Sócrates − [...] Nenhuma coisa possui uma unidade em si mesma, e não há algo que possas nomear com exatidão ou definir como é constituída. Se a caracterizares como grande, parecerá também pequena; se pesada, parecerá leve, e assim por diante, de modo que nada é uno, determinado ou permanente. É da mudança das coisas, do movimento e da mistura entre elas que se origina tudo aquilo que afirmamos existir − embora usemos a expressão de forma inadequada, pois, em rigor, nada é ou existe, tudo está em constante devir. Sobre isso, com exceção de Parmênides, os pensadores estão em pleno acordo: Protágoras, Heráclito e Empédocles. [...]
(Adaptado de: PLATÃO. Teeteto. Trad. de Carlos Alberto Nunes. Pará: Universidade do Pará, 1973. p. 33)
No debate pré-socrático entre mobilismo e monismo:
Para Heráclito, a realidade sensível se caracteriza pela mudança constante.
Parmênides é exceção porque vê no movimento a prova da existência do Ser.
Ao negar a unidade das coisas, Sócrates aceita, como Parmênides, que o não-ser existe.
Como tudo muda, o texto conclui que só Parmênides descreve corretamente a realidade.
A “mistura entre as coisas” refere-se a Parmênides, para quem a união dos elementos explica a mudança.
A questão faz referência aos pensadores Pré-Socráticos a partir de um escrito de Platão. No trecho, fica evidente o debate sobre a existências das “coisas” tem dois tipos de abordagem: a do movimento e da mistura e, do outro lado, o da permanência e da unidade. Ainda segundo o texto, apenas Parmênides é apresentado como defensor dessa eternidade e imutabilidade do ser. Sendo assim, a alternativa B atribui a Parmênides uma concepção oposta à sua filosofia; C confunde a negação da permanência com a afirmação da existência do não-ser; D contradiz o argumento apresentado no texto; e E atribui a Parmênides a teoria da mistura dos elementos, associada a Empédocles.
A alternativa A replica o pensamento de Heráclito ao descrever que a realidade sensível está marcada pela transformação constante. Convém lembrar da máxima do autor de que "Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois nem o rio é o mesmo, nem o homem".
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