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Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, baseie-se no texto abaixo.
A era da facilidade
Estamos na era da facilidade: não é preciso pensar nem estudar, devemos apenas propor clichês, ideias batidas que possam cimentar consensos. Os clichês ganham cúmplices ou esbarram em inimigos. Em ambos os casos, eles são confirmados, quer seja pela adesão dos nossos, quer seja pela recusa pelos outros.
Nada contra a facilidade: não acho que penar e se sacrificar impliquem algum mérito. Mas, infelizmente, a facilidade dos clichês empobrece o mundo e só deixa duas posições: a favor e contra. Eu, entre favor e contra, sempre escolho um terceiro ou quarto lugar, que não foram sequer mencionados.
Entende-se que o indivíduo da era da facilidade (o Homo Fácil) odeia os intelectuais em geral. Intolerável para ele é o intelectual que quer discutir e para isso traz ideias diferentes ou, pior ainda, fatos novos - fatos que o Homo Fácil não tinha levado em consideração. O intelectual detestado, em suma, é o chato que gostaria de nos obrigar a pensar e a estudar. Que coisa chata: a gente está tão bem no conforto do clichê coletivo.
Nas mídias sociais, o Homo Fácil se sente em casa: é uma arena de opiniões, pura ideologia, sem espaço nem tempo para fatos, pensamentos, informações apuradas, estudo, reflexão ou diálogo. Aos poucos, fomos nos afastando dos ensinos de conteúdo e avançando na direção de uma pedagogia pela qual tudo já estaria lá, dentro do indivíduo. É só deixar nosso íntimo se expressar. Começamos, assim, a encorajar nossos rebentos a ter opiniões e a formulá-las, mesmo sobre tópicos que eles ignoram completamente. Essa saída pela facilidade de opinar sem refletir talvez seja o estilo que define nossa era.
(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 69-71, passim)
Nas mídias sociais, o Homo Fácil se sente em casa: é uma arena de opiniões (4° parágrafo).
A coerência de sentido e a coesão dos elementos da frase acima mantêm-se nesta outra forma de redação: Nas mídias sociais, o Homo Fácil se sente em casa
conquanto se veja aí munido de bons argumentos.
por vê-las como uma disputa entre valores subjetivos.
a fim de preservar a força de seu pensamento crítico.
à medida que duvida das próprias certezas.
ainda que lhes negue alguma validade prática.
Ao substituir “Nas mídias sociais, o Homo Fácil se sente em casa: é uma arena de opiniões” por outra estrutura de sentido equivalente, é importante perceber que é necessária a manutenção do sentido de causa entre as ideias, ou seja, o Homo Fácil se sente em casa porque vê as redes como “arena de opiniões, pura ideologia” (disputa de posições pessoais, subjetivas, sem fatos). Além disso, é necessário perceber que “arena de opiniões” se refere às mídias sociais (trata-se de uma expressão no feminino plural, retomada pelo pronome “-as”). Dessa forma, a frase adequada é “Nas mídias sociais, o Homo Fácil se sente em casa por vê-las como uma disputa entre valores subjetivos”. As demais alternativas quebram a coerência entre as orações, pois A e E iniciam concessões, C atribui ao Homo fácil um “pensamento crítico” (o qual, na realidade, ele não tem), e D sugere que ele duvida das próprias certezas, o oposto do que afirma o texto.
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