Fique por dentro das novidades
Inscreva-se em nossa newsletter para receber atualizações sobre novas resoluções, dicas de estudo e informações que vão fazer a diferença na sua preparação!
Questão ativa
Já visualizadas
Não visualizadas
Resolução pendente
Questão anulada
Sem alternativas
TEXTO 1
A talidomida chegou ao mercado em 1957 como um poderoso sedativo eficaz contra ansiedade, insônia e tensão. A droga havia sido testada em camundongos e se revelara totalmente inócua. Tão inócua que os médicos não tiveram nenhuma dúvida em indicá-la para grávidas. O novo remédio acabou se revelando especialmente eficiente contra enjoos matinais - típicos dos primeiros meses de gestação - e foi receitado em larga escala para gestantes.
Na verdade, como logo ficou claro após o uso em massa, a talidomida é extremamente tóxica. Tão tóxica que se calcula que dez mil crianças tenham nascido em todo o mundo com deformidades físicas graves causadas pela droga - a substância faz com que os membros superiores e inferiores não se desenvolvam propriamente.
A tragédia foi tão grande que a droga acabou sendo proibida em todo o mundo.
Ela tinha sido testada em fêmeas de camundongos grávidas e não se mostrou tóxica. Ocorre que - e os cientistas descobriram isso da pior forma possível - muitas substâncias que não se revelam tóxicas em camundongos, por exemplo, podem se mostrar danosas para outros mamíferos. E mesmo aquelas que são inócuas para vários animais, podem se revelar extremamente tóxicas para os seres humanos.
E foi a partir dessa constatação que se estabeleceu boa parte do protocolo de testagem de medicamentos em voga até hoje. Por isso, uma nova droga, para ser aprovada, precisa ser testada em pelo menos três diferentes animais e também nos seres humanos - em nada menos que quatro fases.
(Adaptado de: “Pílula da USP: Conheça a polêmica sobre o uso de remédios não testados”. BBC. Disponível em: <https://www.bbc.com). Publicado em: 30 de nov. de 2015. Acesso em: 20 de set. de 2026)
TEXTO 2
A Comissão de Ética Médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP indeferiu o pedido de tratamento experimental com a substância polilaminina para um sargento da reserva da Polícia Militar, internado após ser atingido por um tiro na região torácica, que fraturou sua vértebra T12. O resultado foi uma lesão medular completa, com ausência de funções abaixo do nível atingido.
Os médicos relatores do parecer destacaram diversos pontos técnicos e éticos para vetar a aplicação imediata do produto:
(Adaptado de: TAVARES. Bruno. “Comissão de Ética do HC-USP nega uso experimental de polilaminina em sargento que levou tiro e lesionou medula”. G1. Disponível em: https://g1.globo.com. Publicado em: 06 de mar. de 2026. Acesso em: 20 de set. de 2026)
TEXTO 3
Clínicas clandestinas que vendem tratamentos com células-tronco estão surgindo em toda parte. Há centenas delas em todo o mundo, anunciando que podem curar de tudo, desde autismo até paralisia cerebral. A maior concentração de clínicas de tratamento com células-tronco encontra-se nos Estados Unidos, México, Índia e China. E as pessoas estão viajando grandes distâncias para obter esses tratamentos, gerando um fenômeno conhecido como turismo das células-tronco.
Nos Estados Unidos, diversos pacientes perderam a visão após serem submetidos a um tratamento com células-tronco para condições degenerativas nos olhos. Os pacientes, que foram atendidos em uma clínica não regulamentada de tratamento com células-tronco na Flórida, pagaram até US$ 20 mil (cerca de R$ 96 mil) para participar do "ensaio clínico".
Outros relatos destacaram danos graves associados a tratamentos não regulamentados com células-tronco, incluindo febre, infecções, tumores, inflamação cerebral, coágulos sanguíneos potencialmente mortais, incapacidade e até morte.
(Adaptado de: WIDERA, Darius. “Tratamentos com células-tronco: por que são caros, sem comprovação e podem ser perigosos”. BBC. Disponível em: <https://www.bbc.com. Publicado em: 25 de jul. de 2023. Acesso em: 20 de set. de 2026)
TEXTO 4
E por que entrar em algo experimental?
Lito Sousa, mecânico aeronáutico e influenciador digital brasileiro, foi diagnosticado recentemente com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurodegenerativa rara, progressiva e fatal. O caso de Lito é uma corrida contra o tempo. Quando os primeiros sintomas aparecem, a doença já avançou silenciosamente pelo cérebro.
Isso significa que, no momento do diagnóstico, o dano já está feito - e a doença segue avançando rápido, sem que exista, hoje, qualquer forma de parar esse processo. Lito já teve perda de visão, de mobilidade, e atualmente precisa de cuidador e recebe cuidados hospitalares em casa.
"A questão que temos aqui é que é uma doença letal e muito rápida. Quando a gente tem uma doença que tem uma evolução clínica inexorável, que hoje não tem cura, na medicina vai ser sempre a análise de risco-benefício", explica Bruno Solano, médico pesquisador do IDOR Ciência Pioneira e Fiocruz, especialista em terapias avançadas. Para Daniel Dahis, especialista em estudos clínicos, com passagem por Harvard, “há riscos, mas estamos falando de uma pessoa com uma doença grave, rapidamente progressiva e que hoje não tem tratamento capaz de interromper sua evolução. Nesse contexto, a análise de risco-benefício é diferente. A gente pode aceitar um grau maior de incerteza e de risco para testar uma terapia experimental porque também precisa considerar o que provavelmente acontece sem nenhum tratamento. Mas isso não significa aceitar qualquer risco: ele ainda precisa ser justificável e monitorado dentro de critérios éticos e de segurança”, explica.
(Adaptado de: CASEMIRO, Poliana. “'Fechar a torneira': como funcionam os tratamentos experimentais que Lito busca para tentar frear doença rara”. G1. Disponível em: https://g1.globo.com. Publicado em: 25 de ago. de 2026. Acesso em: 20 de set. de 2026)
Considerando os textos acima, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema:
Entre a esperança do paciente e o rigor da ciência: os limites éticos dos tratamentos experimentais
Ao trazer um assunto ligado à área da saúde, a prova de redação da PUCCAMP Medicina mantém o padrão estabelecido nos últimos anos em relação à abordagem temática. A discussão sobre limites éticos em tratamentos médicos experimentais é relevante em um contexto social em que a ciência avança a passos cada vez mais largos, o que torna também relevante que os candidatos tenham conhecimento e ponto de vista estabelecido nesse tópico.
A frase temática (“Entre a esperança do paciente e o rigor da ciência: os limites éticos dos tratamentos experimentais”), estruturada pelo articulador “entre”, exigia que o(a) candidato(a) considerasse, necessariamente, os dois eixos argumentativos apresentados em sua redação. Afinal, como podemos inferir a partir dos textos de apoio, a metodologia científica rigorosa em tratamentos experimentais é o que garante que o processo de pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos seja ético. No entanto, esse rigor e, consequentemente, os limites dessa ética são ocasionalmente questionados por pacientes movidos pela esperança de cura. Para conseguir compreender essa discussão como um todo, os textos de apoio apresentavam situações bastante representativas de tal embate.
O texto 1 apresentava o caso da talidomida, medicamento desenvolvido no século XX que, justamente por ter sido lançado no mercado sem pesquisas com o devido rigor científico, causou uma tragédia em todo o mundo – mais de dez mil crianças nasceram com deformidades em decorrência do uso da substância por mulheres grávidas. Essa informação era essencial para que o(a) candidato(a) não perdesse de vista, ou não relativizasse, a importância do rigor metodológico: o caso descrito prova que ele é necessário e que evita perdas humanas graves.
O segundo texto já introduz o outro lado da discussão: trata-se do caso de um policial que, movido pela esperança de cura, buscou autorização judicial para utilização de um tratamento experimental que ainda não havia passado por todos os testes necessários e teve seu pedido negado. Contrapor esse caso à ideia do texto 1 auxiliaria o candidato a compreender melhor os limites éticos: mesmo que o paciente deseje o tratamento e esteja ciente dos riscos, o rigor científico pode privar uma pessoa de tentar concretizar uma esperança em potencial?
Os textos 3 e 4 apresentam problemas de outra ordem. No texto 3, a ausência de rigor metodológico em tratamentos experimentais, em alguns casos, pode fazer com que entes privados explorem financeiramente a esperança dos pacientes, manipulando-os e submetendo-os a graves riscos. Já no caso descrito no texto 4, a ausência de rigor metodológico pode representar de fato a única esperança de um paciente que, acometido por uma doença terminal de avanço rápido, já não tem outras esperanças.
De tal modo, o raciocínio proposto pelos textos da proposta tornava importante que o(a) candidato construísse uma argumentação capaz de explicar de que modo o rigor científico na experimentação é importante ou benéfico para
que sejam preservados os limites éticos do processo de pesquisa e a eficácia dos novos tratamentos desenvolvidos, atestando a necessidade de priorizá-lo em detrimento da esperança dos pacientes. Há muitas formas de alcançar esse objetivo. Uma possibilidade é construir parágrafos de argumentação inteiramente voltados à defesa de diferentes justificativas pelas quais o rigor científico assegura os limites éticos que não podem ser garantidos quando a experimentação é movida pela esperança dos pacientes. Outra, é estruturar um parágrafo que argumente acerca dos perigos éticos de oferecer tratamento e, então, esperança, a pacientes, sem garantia de eficácia ou de segurança, e outro parágrafo que sustente que essa garantia somente é alcançada com uma metodologia rigorosa.
Qualquer que seja a opção de projeto de texto, o mais importante é que o(a) candidato(a) demonstre compreender toda a discussão proposta pela prova de redação, o que seria possível somente com uma leitura atenta dos textos de apoio e boa interpretação da frase temática. Para além disso, também é essencial conseguir trazer o ponto de vista sobre tal discussão dentro de um texto bem planejado e adequado à estrutura do gênero solicitado (texto dissertativo-argumentativo). Isso exige uma organização clara dos raciocínios que sustentam o ponto de vista apresentado em cada parágrafo, com uso expressivo e produtivo dos recursos coesivos, linguagem precisa e adequada à norma-padrão e objetividade nas ideias. As referências intertextuais, tais como menções a autores, obras ou fatos de conhecimento do(a) próprio(a) candidato(a), também são valorizadas nessa prova e podem contribuir para uma argumentação mais bem desenvolvida.
Inscreva-se em nossa newsletter para receber atualizações sobre novas resoluções, dicas de estudo e informações que vão fazer a diferença na sua preparação!